sexta-feira, 31 de julho de 2015

Encerrando a semana .... com mais um pouco de Reviver

Boa tarde amores, tudo bem?

Mais um final de semana chegou e não poderíamos deixar alguns trechos de Reviver para vocês.
E quem ainda não adquiriu o seu exemplar, corre no site da editora e garanta o seu.

Abraços e bom finds galera!!!
Bye...


"[...]Após uma pequena batalha perdida sobre quem pagava minha conta, saímos em direção ao estacionamento. Ele deu alguns passos na frente, pois estávamos chegando ao carro e pude admirar, um pouco mais, seu belo físico. Ele estava de terno e gravata, mas refletia um ar descontraído, parecia ter vindo direto do trabalho. Fiquei admirando a paisagem e quando levantei o olhar, ele estava sorrindo e olhando para mim. Abriu a porta do Audi R8 preto e disse:

- Fique a vontade, Srta. Miller. - Falou com um sorriso malicioso estampado no rosto.

- Sara.

- Como quiser.

Quando ele disse’ ‘fique a vontade’’ será que estava se referindo ao carro, ou aos olhares? [...]"
(Oliver e Sara)






quinta-feira, 30 de julho de 2015

Presentinho: Chegou o 1º Capitulo ...

Boa tarde galera, tudo bem??

Então como o próprio titulo diz um presentinho da querida Francine Locks para vocês... o 1º Capítulo de Reviver.
Espero que gostem e não deixem de passar em nosso site e ver as nossas novidades e promoções.

Excelente quinta
Bye...



Capitulo Um

 

 

A

 Água estava tão quente e gostosa, que se eu não tivesse uma pilha de projetos para revisar, com toda a certeza do mundo, ficaria aqui até amanhã.

     Amarrei meus cabelos loiros em um coque, deixei cair alguns fios encaracolados, espalhei meus sais de banho com essência, de morango e champagne, por toda a banheira e peguei minha taça de vinho. 

Ainda tinha algum tempo, ainda era cedo...

     Estiquei o braço e peguei minha taça de Chardonnay Luca, safra 2011, que estava sobre o suporte ao lado da banheira, tomei dois goles e a coloquei de volta no lugar. Queria ficar aqui para sempre, queria ficar aqui para sempre – repetia, como se fosse fazer alguma diferença, como se fosse fazer minha enorme pilha de arquivos simplesmente desaparecer do mapa.

     O telefone tocou, me fazendo estremecer com o susto.

– Droga! – Gritei, quando molhei meu cabelo ao escorregar na banheira.

     O telefone tocou pela segunda vez. Enrolei – me na toalha e corri.

– Onde você está? Onde você está!? – Eu falava em voz alta, pois nunca sabia onde deixava o telefone – Encontrei! Oi, Kate! – Falei após olhar no identificador de chamadas. – Estava estranhando não ter me ligado essa semana.

– Ah, Sara! Como é bom ouvir sua voz. Como você está?

     A voz de Kate era doce, meiga, e ao mesmo tempo, intimidadora. Embora no momento, estivesse um pouco enrolada. Escutar a voz dela, sempre me fazia lembrar o tempo em que eu era feliz, e estava sempre sorrindo.

– Como vai minha arquiteta?

– Ah! Você sabe Kate, a empresa está com inúmeras arquitetas e isso acaba se tornando uma grande batalha de “Quem Mostra Mais Serviço”. – falei com voz de desdém.

– Sei exatamente do que você está falando. – disse Kate com a voz falhando, como se estivesse engolindo alguma coisa.

– Deixe – me adivinhar – eu disse com tom de sarcasmo –, você está tomando uma taça de vinho e projetando.

– Na verdade, estou na terceira taça, não estou mais em condições de exercer minhas habilidades profissionais.

     Eu quase conseguia visualizar o sorriso estampado no rosto dela, do outro lado da linha.

– Algumas coisas nunca mudam não é, Senhorita Ousada Buffon. – Disse me referindo as taças de vinho que ela ingeriu.

– Como se eu não soubesse que você também está sob o efeito do álcool,  Sara.

     Sua capacidade de conhecer todos os meus tipos de tons era, absolutamente, assustador. Eu nunca conseguiria esconder algo dela.

– Bom Sara. – ela prosseguiu – É muito bom trocar indiretas, mas preciso muito ser direta com você.

– Estou ouvindo.

– Nessas últimas semanas, senti sua falta... Você anda muito distante, Sara. Há mais de duas semanas que não me liga. De qualquer forma, queria te fazer uma proposta.

– Bom... Kate. Vou deixar bem claro que me prostituir sempre foi uma opção para você, não para mim.

     Ouvi sua gargalhada do outro lado da linha.

– Cale essa maldita boca, Sara! Deixe – me terminar.

– Ok.

– Vou abrir um escritório.

     Fiquei em transe. No fundo, eu sabia onde essa história iria acabar.

– É sério, Sara! Estou muito preocupada com você, já se passou mais de um ano. Você precisa superar.

     Fiquei completamente muda, e ela prosseguiu:

– Faz algum tempo que estou planejando. Eu não quero continuar seguindo ordens, você sabe que nunca gostei de ser mandada, também sei que você está sendo pressionada  no trabalho e...

–Não! – Respondi sem deixar que ela completasse a frase.

–Sara! Definitivamente não aceito não como resposta.

– Kate já faz anos que trabalho naquela empresa. Embora esteja uma droga ultimamente, tenho certeza, de que é só uma fase. Eles irão me escolher, sou ótima no que faço.

– Eu sei Sara, quanto a isso não me resta nenhuma dúvida. Mas você está sozinha nessa cidade e anda muito triste depois que seus pais viajaram. Quero que você reconsidere minha proposta, e me ligue amanhã.

– Tudo bem.

– Espero que sim. Aluguei a sala e estou à sua espera.

Como assim você já alugou a porcaria da sala!?

Ligo para você amanhã, Kate. – e desliguei.

     Kate era assustadoramente imprevisível.

     Embora  eu ame a possibilidade de mudar de vida, não acho que seria uma boa ideia ter que conhecer pessoas novas. A verdade é que não sou boa com isso, e nem sei se estou pronta para... Achei bom ligar para minha mãe, afinal, ela sempre sabia o que me dizer. Depois de cinco toques, ela atendeu.

– Oi, querida! Que bom que ligou! Aconteceu alguma coisa?

– Por que a pergunta, mãe? Eu sempre ligo para a Senhora.

– Não nesse horário.

– Aiii! Desculpe mãe! Esqueci o fuso horário.

– Tudo bem querida, pode falar.  Fale – me o que a está incomodando, Sarinha.

      O tom de voz passou de empolgado para preocupado,  acho que vou estar com cinquenta anos e ainda vou ser chamada de Sarinha.

– Kate me ligou. Ela propôs que trabalhássemos juntas e que eu me mudasse para Florianópolis, mas não sei o que fazer.

– Que ótimo! Você tem que fazer o que o seu coração mandar. Não pense na vida que tem em Curitiba, pense no que está por vir. Você sabe o que fazer Sara, só não tem coragem, então sugiro que faça.

– Sim, mãe. Estou pensando ainda, mas precisava ouvir a sua opinião, apesar de já saber o que a Senhora diria. Estou com saudade de vocês.

– Também estamos com saudade, minha querida. Seu pai está mandando um beijo.

– Diga a ele que mandei outro, e que amo muito vocês.

– Também amamos você, Sara.

– Tchau, mamãe. – Desligamos e durante certo tempo, fiquei feito uma estátua com o telefone na mão.

     Em pé no meio da sala, eu ainda estava enrolada na toalha, meu coque ainda estava feito, embora estivesse todo entranhado. A proposta de Kate, os conselhos da minha mãe, não saía da minha mente. Balancei a cabeça na intenção de me livrar desses pensamentos, joguei o telefone em um canto qualquer, aliás, esse era o motivo de nunca encontrá – lo. Voltei para o banheiro e esvaziei a banheira, a minha ideia de ficar de molho foi, literalmente pelo cano, só me restava trabalhar.

     O motivo, de tanto projeto acumulado, era que tive alguns problemas de saúde e precisei sair mais cedo durante alguns dias, o resultado, estava em cima da mesa no meu escritório.

     Era quinta – feira o que significava que o dia seguinte, seria longo... Ao pensar nisso, me vesti com a roupa mais larga que encontrei, a noite também seria longa...

     No dia em que cheguei aqui, o cômodo era apenas um quarto de hóspedes, mas para que eu precisaria de um maldito quarto de hóspedes? Portanto, eu mesma desenhei o meu escritório e contratei um marceneiro. Ele realizou um trabalho primoroso, especialmente com as estantes que projetei.

Ah, minhas estantes... Havia várias para os meus livros, que para mim, eram absolutamente tudo de que precisava.

     Vivia nos livros mais que em qualquer outro lugar” – O oceano no fim no caminho, Livro de, Neil Gaiman. – sempre carregava esta citação comigo, ela fazia todo o sentido.    

     Analisei, previamente, todos os projetos antes de começar a desenhá – los, ainda eram oito e meia da noite, eu tinha tempo o bastante, e se, continuasse nesse ritmo, terminaria antes da meia noite. 

     No momento em que, finalmente, terminei de fazer os acabamentos do maior, mais demorado e terceiro, dos cinco projetos, simplesmente cliquei em “não salvar alterações”. Simples assim, não salvar a merda das alterações.

– Merda! Merda! – Gritei como se fosse resolver alguma coisa. – Era tudo de que eu precisava! Ser obrigada a ficar até mais tarde do que o planejado. Amanhã tenho que trabalhar ás oito e meu carro está no conserto. Está tudo correndo tão bem. Ironicamente falando, é claro.

     Era pouco mais de uma da manhã, quando terminei de refazer todo o trabalho que perdi. Estava completamente exausta, mas dessa vez, cliquei em salvar. Sempre aprendemos com os nossos erros, não é mesmo?  Guardei meu notebook na minha pasta junto com as papeladas, pois sabia que de manhã não haveria muito tempo para arrumar. Fui até a cozinha, preparei uma lasanha congelada e em menos de dez minutos já estava pronta e servida. Eu estava morta de fome, nem me lembrava da última refeição que havia feito.

     Depois do jantar, tentei filtrar todos os acontecimentos do meu dia... Pensei na proposta de Kate, e com toda a certeza, não estava pronta para uma nova vida.

     Às vezes, pensava no quanto era infeliz e queria mudar, viver, voltar a sorrir, queria ter alguém com quem pudesse compartilhar meu dia, alguém para dividir uma garrafa de vinho enquanto saboreávamos uma comida japonesa. Porém, no outro instante, minha opinião mudava completamente, eu começava a achar que estava tudo bem, sim, e pensava no quanto poderia ser pior...

•••

     O despertador tocou, me fazendo acordar de um sono profundo. Levantei e corri para o guarda – roupa, vesti uma blusa de seda, uma saia de risca giz e um blazer, que passei antes de ir dormir, pois sabia que iria me atrasar. Coloquei meus sapatos de salto, não tão altos quanto os outros, pois era sexta – feira e o dia na empresa seria bastante agitado, outro motivo, mas não menos importante, é que teria que andar dois quarteirões até a oficina para pegar meu carro.

     Comprei meu café no caminho e cheguei a tempo na empresa. As portas do elevador se abriram, e eu me vi refletida no espelho.

– Ai, Deus! – Gritei, e todos que estavam na fila olharam para mim.

     Esqueci completamente do meu cabelo! Ele estava em um coque, horrível, todo entranhado, as mechas onduladas que deixei propositalmente caídas, estavam completamente desfiadas e duras, pois havia molhado na banheira com sais de banho na noite passada.

– Como fui esquecer!

     O elevador subiu dezesseis andares, foi quando percebi que minha pasta não estava comigo...

– Minha pasta! – Me desesperei olhando em minha volta.

      Todos  direcionaram o olhar para mim e eu me senti corar. O elevador continuou a subir, permaneci nele, pois eu teria que descer.

     Passei no meu apartamento, procurei em todos os cômodos, em cada canto da casa, e nada da minha pasta. Fui á borracharia, também não estava lá. Uns minutos depois, meu telefone tocou.

– A... Alô. – Falei completamente desconcertada e gaguejando.

– Bom dia, Senhorita Miller?

– Sim, eu mesma.

– A Senhorita esqueceu sua pasta aqui, na Coffee Break.

Claro! Quando fui comprar café! Sorte que tinha meu telefone gravado no  chaveiro que estava na pasta. Um alívio tomou conta do meu corpo, me fazendo relaxar.

– Graças a Deus! Passarei aí em dez minutos. Muito obrigada! Você salvou minha vida!

– Não tem de que. – disse o rapaz rindo, provavelmente do meu exagero.

     Ahhh! Como é que pude ser tão desligada em relação as minhas responsabilidades de trabalho? Meu emprego estava praticamente dentro da bendita pasta.

     Quando cheguei de volta à empresa, eram nove e vinte, estava uma hora e vinte minutos atrasada, e isso, é algo muito ruim para quem está trabalhando em um ambiente de competição. Eu estava completamente desajeitada, havia até dispensado meu café, pois estava tão nervosa que não conseguiria tomá – lo.

     Para completar o meu dia, quando passei em frente à recepção, lá estava uma das arquitetas, que também estava nessa batalha de competitividade, Savana, ela era arrogante e desprezível, mas não podia ignorar o fato de ser uma das mulheres mais bonitas da empresa, que tinha todos os homens aos seus pés.

     Ela não conseguiu esconder o contentamento, em me ver completamente desleixada e muito atrasada, e pareceu ter se dado conta do quanto eu estava vulnerável a qualquer comentário, e é claro, ela não poderia perder a oportunidade.

– Bom dia, Senhorita Miller. O Senhor Vasconcelos fez uma reuniãozinha hoje ao abrirmos a empresa, ele sentiu sua falta.

O que? Como assim o Senhor Vasconcelos fez uma reunião, sem mencionar nada no dia anterior!

     Senhor Vasconcelos era o dono da empresa. Por que ele faria uma reunião sem comunicar ninguém? Talvez, porque ele quisesse verificar quem estava, ou não, na empresa, ou talvez, Savana estivesse sendo arrogante e pretensiosa. Meu dia estava uma merda e esse comentário não me abalaria em nada.

– Belo cabelo. Veio do salão, Senhorita Miller? – Perguntou ela me despertando dos meus pensamentos.

     Como ela conseguia ser tão arrogante? Durante todo o tempo em que trabalhei na empresa eu convivi com seus comentários, irritantes e ofensivos, mas hoje foi a gota d’água.

– Não, Savana, na verdade acabei de sair do motel com o seu namorado, aliás, esse é o motivo do meu atraso. Ops! – Coloquei a mão na boca. – Ele disse para não contar.

     Eu dei as costas para ela e prossegui andando, com um leve sorriso estampado no rosto, Savana ficou parada, com a boca aberta e a cara de tacho.

Alguma parte do meu dia tem que ser boa.

     Ao entrar na minha sala, me deparei com uma nova pilha de trabalho, andei em linha reta e comecei a lê – las, nelas continham os nomes de alguns funcionários da empresa e o prazo de entrega.

Espera aí, são... Projetos para revisão. Isso, com certeza, têm que ser feito por quem os criou!

 Algum problema, Senhorita Miller? – Perguntou Isaque Ryan. Nesse momento, percebi que ele estava o tempo todo sentado na poltrona, a minha espera.

– Claro... Que não.Disse embasbacada.

Quero todos os projetos revisados até às duas da tarde!

Com todo o respeito, posso saber o motivo, Senhor Ryan?

– Apenas me entregue no horário combinado.

– Ok.

      Ryan deu as costas e saiu da sala, me deixando com minhas obrigações.

Minha uma figa! Não era eu quem tinha que estar revisando isso!

Alguém bateu na porta.

– Entre! – Respondi não sendo nada simpática.

     Era Ian Cooper. Ele trabalhava comigo há um ano e sempre tivemos uma ótima relação, desde que ele começou a trabalhar na empresa. Estudamos na mesma faculdade, mas quando comecei a namorar, nos afastamos.

     Nosso “reencontro” foi na empresa. Nós saímos algumas vezes, para almoçar, jantar e beber. Foi o suficiente para haver boatos de que tínhamos algo além da amizade, todos adoravam falar mais do que realmente sabiam,  porque na verdade eu não me envolvia com ninguém há muito, muito tempo, e honestamente, não me sentia pronta para um relacionamento.

– Que merda está acontecendo por aqui? – Perguntou Ian olhando para os lados se certificando de que Ryan não estava por perto. – O que ele estava fazendo aqui?

– Bom dia, para você também, Ian. Não sei ao certo o que está acontecendo, mas ele deixou uma pilha de projetos dos outros arquitetos para eu revisar, e ficou sentado na poltrona, esperando para ver a minha reação.

– Ele fez uma reunião hoje cedo e mencionou os nomes dos funcionários que trabalham há mais tempo na empresa. O seu foi mencionado... Mas você não estava e quando ele perguntou o porquê, Savana não hesitou em dizer que você havia perdido sua pasta com todos os projetos e que parecia estar de ressaca.

– O que? Como ela sabia da pasta e como ela teve a audácia de...

É claro! Ela estava no elevador quando eu gritei apavorada que havia esquecido a pasta.

Cretina insolente!

     As portas se abriram, Ryan apareceu novamente.

– Estou atrapalhando alguma coisa, Senhor Cooper?

– Absolutamente não, Senhor Ryan... Eu já estava de saída.

     As portas se fecharam. Ian e Ryan desapareceram de minha vista.

Será que eu vou ter algum minuto de paz hoje?

     Será que o motivo de eu ter recebido tantos projetos para revisar, é porque Ryan passou a lista de funcionários para Senhor Vasconcelos, que mencionou meu nome como alguém exemplar, ou algo do tipo, e Savana o interrompeu e o envergonhou?

É claro! Só pode ser por isso! Ryan está puto, porque  provavelmente o Senhor Vasconcelos deve ter dado uma bela bronca nele, e tudo por culpa da Savana, que adora me ferrar!

      Organizei as minhas coisas na mesa, liguei meu Notebook para checar meus e - mails, e só depois, comecei a revisar os projetos. A minha sorte é que amo meu trabalho, poderia ter uma fila infinita de projetos a fazer, que eu seria incapaz de reclamar. Afinal, foi por esse motivo que estudei tanto, que cursei cinco anos de faculdade, e que estou aqui agora.

     Meu celular tocou, em algum lugar da sala. Era uma mensagem, Kate.

Como está sendo seu dia? Pensou no assunto?

Meu Deus, Kate!

     Será que você não tem uma hora pior para me mandar uma mensagem? Eu não tive tempo nem de pensar em algo que tenho certeza, imagine pensar em uma remota possibilidade de largar tudo, simplesmente largar tudo. Peguei meu celular e respondi a mensagem.

 

Meu dia? Você ficaria surpresa, se soubesse como está sendo a porcaria do meu dia. E não... Não pensei ainda.

     Voltei imediatamente para as minhas funções, e em menos de um minuto, estava envolvida novamente no trabalho. Quando decidi olhar no relógio, eram onze horas, eu estava adiantada, mas ainda tinha muita coisa pela frente.   Faltava uma hora para a minha assistente chegar.

Como ela fazia falta, como ela fazia falta.

     Cristina cursava faculdade e fazia estágio a tarde, ela era uma pessoa maravilhosa e de fácil convivência, não sei como seria não tê – la por aqui, ela se parece muito comigo quando eu estava na faculdade.

     Meu celular tocou. Olhei na tela para verificar o nome, Kate. Ela demorou uma eternidade para responder, porém eu agradeci por isso.

                

                 Isso é bom ou ruim? ENTÃO PENSE! Está esperando o quê?

   

 Eu a respondi na mesma hora.

 

Ruim! E suas MAIÚSCULAS BERRANTES não me intimidam.

Ruim? Acredito que o motivo seja o trabalho e é só mais um motivo para você aceitar a minha proposta L

Até mais, Senhorita Buffon, e deixe – me trabalhar, ligo para você depois do trabalho, e essa carinha triste não vai me fazer mudar de ideia J

Sempre fugindo... Me ligaaaaaa mais tarde.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Reviver: Prólogo

Boa tarde amores, tudo bem?

E não é que a Fran liberou um pedacinho do seu livro para nós. Deixo pra vocês o prólogo de Reviver, espero que gostem.

Excelente terça galera.
Bye ...


Prólogo

 

     Recém – formada em arquitetura Sara Miller, vivia em seu pequeno apartamento em Curitiba. Ela estava trabalhando na empresa, Nova Arquitetura, onde foi estagiária durante o período em que esteve na faculdade.

     No primeiro ano de curso, Sara conheceu Katharine, desde então, se tornaram tudo uma para a outra.

     No entanto, quando Sara cursava o último ano de faculdade, devido a cruéis circunstâncias, ela foi obrigada a trancar sua matrícula, por um ano.

     Sua vida foi assolada por  uma série de acontecimentos drásticos, um trauma que ela nunca cogitou nem mesmo em seus piores pesadelos, mas que agora, causavam a ela uma interminável tortura interna.

     Kate terminou os estudos, um ano antes que a amiga, fato que a fez se sentir culpada. Ela achava que poderia tê – la esperado se estabilizar, psicologicamente, para que juntas voltassem à faculdade. Porém  era o pai de Kate quem bancava todas as despesas, e ele não atendeu a esse desejo da filha, portanto, a moça acabou cedendo, afinal, ela sempre foi muito grata ao pai, pois sabia o quanto era difícil bancar o apartamento alugado próximo da faculdade, os gastos com o carro, com livros, a mensalidade...

     Ao terminar os seus estudos, Kate recebeu uma ótima proposta de emprego, em uma das maiores empresas de arquitetura de Florianópolis, fato que a incentivou mudar de cidade,  foi então, que ela iniciou sua tão bem sucedida carreira.

     Depois da mudança de Kate, Sara ficou sozinha, pois  nesse mesmo ano, seus pais decidiram ir para a França, buscar uma inspiração para seu próximo livro.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Essa é a semana de REVIVER

Boa tarde leitores, tudo bem com vocês??

Mais uma semana se inicia e eu trago aqui para vocês mais um sucesso da Angel, o Queridinho da Semana é o livro Reviver da queridíssima autora Francine Locks.

E pra começar segue a sinopse desse fascinante.


SINOPSE

     [...] Fechei os olhos e aceitei o fato de que não iria me livrar tão facilmente.

    Recém-formada em arquitetura,  Sara Miller tem uma vida monótona e sem muitas expectativas, isso aconteceu depois de uma tragédia que destruiu sua capacidade de amar, mas, tudo muda depois que ela recebe uma ligação de sua melhor amiga, propondo que  se mude para outra cidade, para juntas abrirem um escritório.

    Completamente insatisfeita com a própria vida, Sara aceita a proposta, porém tudo o que ela queria evitar encontrou no primeiro dia.

     Cidade nova. Uma boate. Um estranho misterioso. Um sentimento. Um homem que sempre a amou. Uma intensidade nunca vivida. Um triângulo amoroso e um mistério se desvendando.

     O que a teria feito sofrer tanto? Quem Sara escolherá? Um cretino misterioso ou o amigo que a conhece há anos?

     Quem a libertará desse medo que a impede de se relacionar e desfrutar das questões do amor? Ou melhor, quem a fará REVIVER?

     Até que ponto alguém consegue guardar um segredo?

~*~

Não deixe de adquirir seu exemplar no site da Editora: www.editoraangel.com.br.

Um excelente dia galera.
Bye ...

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Com vocês ... ela ... a criadora do gato-sexy-sarado-lindo Ethan: Patrícia Rossi

Boa tarde galera, tudo bem??

Hahahaha curiosos para conhecer um pouco dessa paulista que deu vida ao nosso amado Ethan Marcus?!

Segue aqui a entrevista com essa autora mega, super, hiper gente boa que tenho a honra de conversar sempre. (risos)
Essa entrevista foi realizada pelo Blog Overdose Literária, a qual foi gentilmente cedida pela autora a nós da Editora Angel.

~*~

Entrevista realizada por: Blog Overdose Literária
Autora: Patrícia Rossi

Um pouco sobre Patrícia Rossi
 - Oi Querida Autora! Conte aos leitores como surgiu a sua história como escritora e suas expectativas com a publicação.
Autora: Bom, quando criança, sempre via minha mãe carregando livros para onde ia. Confesso que tinha ciúmes, pois ela dava mais atenção a eles, do que a mim. Kkkkkkk Mas um dia pensei: preciso descobrir o que há de bom nesses livros, que a prende tanto. Pronto! Foi amor à primeira “lida”! Kkkkk Mas eu ficava sempre achando que faltava algo nas histórias, então resolvi escrever as minhas próprias e colocar tudo que achava que faltava nas outras. Eu devia ter uns dez anos quando comecei a escrever e não parei mais!

Inspiração para o livro 
  - Como surgiu a ideia de escrever o livro? Quanto tempo levou mais ou menos para escrever?
  Autora: A história surgiu por causa dessa foto:

Vi essa carinha, muito tempo atrás, quando Henry nem era conhecido como agora e pensei na cena. E o livro saiu a partir disso.
Olha, sou lenta para escrever! Até porque sou perfeccionista! Nunca nada está bom o suficiente e acho que com Ethan, levei uma média de dois anos para escrever.

Leituras atuais
  - O que você anda lendo no momento e qual é o seu gênero de leitura preferido? Algum autor preferido?
   Autora: Não ando lendo nada atualmente! Kkkkkk Ou escrevo ou leio! Não consigo fazer as duas coisas ao mesmo tempo! Meu gênero é mesmo o romance! Quanto a um autor preferido... bons, tenho alguns, mas não tão conhecidos, como Michelle Reid, Linda Howard, Jennifer L. Armentrouth, Abbi Glines, Cherrie Lynn... são algumas.

Um lugar preferido para escrever 
  - Tem algum lugar onde você tem mais inspiração para escrever?
   Autora: Se fala sobre cidades, gosto de escrever que minhas histórias se passam em Nova Iorque. É um sonho conhecer aquela cidade. KKKKKKKKKKKK Assim me sinto um pouco mais perto dela, escrevendo sobre ela.

Dificuldades
  - Fale um pouco sobre as dificuldades de publicação.
  Autora: Olha, eu tenho de confessar que publicar era um sonho, mas um sonho distante. Eu sabia que não seria fácil! Mas hoje em dia está sim menos complicado. Recebi algumas propostas, mas teria de “morrer” com uma grana que eu não tinha. Kkkkkkkk Então recebi essa proposta da Claudia Pereira e da Ju Veiga, para publicar pela Editora Angel, que está nascendo agora e eu não teria qualquer gasto. Aceitei, claro! E graças a essas meninas preciosas, Ethan está aí!

De escritora para futura escritor(a) 
  - Quais conselhos você daria para os que sonham em escrever um livro?
  Autora: Leia muito! Preste muita atenção na forma certa de escrever, como pontuação, tenha um cuidado de colocar um português correto. Se não tem certeza de como se escreve uma palavra, pesquise! Juro, eu já deixei de ler história que tinham potenciais por causa de erros bobos. E se isso me incomoda, deve incomodar a outros leitores. Dedique-se ao seu sonho, coloque toda sua paixão no que escreve. Quem lê, sente isso.

Internet
  - Você acha que a Internet e os blogs literários têm um papel importante na divulgação dos livros nacionais?
   Autora: Sim, muito! Foi graças a tudo isso que consegui a publicação de Ethan e o sucesso (Graças a Deus!) de Zane.

Personagens
  - Como funciona a criação dos seus personagens? Eles nascem prontos ou são desvendados pouco a pouco?
  Autora: Quando eu escrevia com informalidade, somente para mim, onde não me dedicava a um livro somente e sim a vários de uma vez, eu achava sim que nasciam prontos. Mas hoje, onde mergulho em uma história de cada vez, vejo que eles vão se apresentando a mim no transcorrer da escrita. E posso dizer que minhas leitoras e leitores me ajudam na formação do personagem. Levo muito em conta suas sugestões. São meus termômetros para saber se os mocinhos estão ou não agradando.

Inspiração
  - Eles costumam ser inspirados em pessoas reais ou são apenas frutos da sua imaginação?
  Autora: Não consigo escrever sem antes encontrar um avatar que case com meu personagem! E sempre são atores, modelos ou cantores. Famosos, vamos assim colocar. Podemos considera-los pessoas reais? Kkkkkkkkkkk

Dica de Livro 
   - Um livro que todos deveriam ler e por quê.
  Autora: Em minha opinião particular, um livro que eu amei e li diversas vezes, é Segredos na Noite, de Linda Howard. E penso que todos deveriam ler porque é de fato uma linda história de amor! kkkkkkkk

Mensagem Final 
  - Muito obrigada pela entrevista e pela oportunidade de conhecermos um pouco mais sobre você. Quer deixar uma mensagem aos leitores?
  Autora: Eu que agradeço pela oportunidade de falar um pouco sobre mim. Agora, para os leitores... Bom, para mim são todos muito preciosos! São a razão de eu escrever e querer sempre melhorar. Respeito todos e tenho muito carinho pelos meus, em particular. Não me canso de agradecer o carinho que transmitem a mim. Eu realmente os amos!

*Créditos: Blog Overdose Literária e Patrícia Rossi


Até logoooo... Bye.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Um pouco mais de: Ethan!!!

Boa tarde galera, tudo bem??

Hoje trago a vocês o primeiro capitulo de Ethan... 

Espero que gostem.
Até mais ... Bye

Ethan 
                                  1ª Capítulo 
— Eu não sou paga para isso! – retrucou Aléxis, examinando o endereço em sua mão e fitando o prédio diante dela.
Ela era secretária no escritório Shepherd and Harry's Paisagismo! No escritório! Amanda Shepherd não tinha autoridade sobre ela para pedir-lhe que “negociasse” com seu ex-amante!
Bem, ela poderia ter dito isso a sua chefe na empresa. Agora, parada diante da construção de dois andares, de tijolos aparentes, pensava que era tarde para reclamar.
Com um suspiro exasperado, alisou seu tailleur bege, que combinava com a calça e sua regata de seda branca. Uma roupa que a fazia parecer uma velha e não a mulher de 26 que era, como dizia sua amiga Norah.
Ela se sentia confortável em seu traje. Parecia mais profissional, séria. Antes de empurrar a porta que dava para o bar, suspirou novamente. Jogando o comportado rabo de cavalo por sobre o ombro, ela entrou.
Pelo horário, o ambiente estava praticamente vazio. Poucas pessoas ao fundo, junto a uma mesa de sinuca. E no balcão, três caras, um em cada canto.
Quem seria Ethan Marcus?
O jeito era perguntar...
— Com licença, – ela se inclinou sobre o balcão, para chamar a atenção do barman. — estou procurando por Ethan Marcus. Ele trabalha aqui?
— Não. – respondeu o homem, examinando-a.
Se ele não trabalhava ali, porque Shepherd dissera que o procurasse no lugar?
— Sabe onde posso encontrá-lo?
— Acabou de achar, boneca!
A voz soou de um sujeito ao seu lado.
Impossível! Sua patroa, Amanda Shepherd, nunca, nunca teria um relacionamento com um homem como aquele!
Ele devia ter seus cinquenta anos, uma barriga bem proeminente, uma visível falha de cabelo e devia medir pelo menos um metro e cinquenta. Amanda devia medir um e oitenta...
Reformulando: Amanda Shepherd sequer olharia para um sujeito como aquele!
Aléxis tentou disfarçar sua expressão de incredulidade, enquanto o homem exibia um sorriso bonachão, acompanhado de um piscada e um brinde silencioso, erguendo seu copo. Tinha uma cara simpática, mas com certeza não era o tipo de sua patroa!
Quando ela pretendia se manifestar, uma mão grande e máscula pousou no ombro do sujeito:
— Se passando por mim de novo, Ed? Quando vai aprender que a mulheres nunca vão cair no seu truque? – brincou o recém-chegado.
Sim, aquele era o tipo de Amanda Shepherd! Aliás, o tipo de qualquer mulher!
Ele era alto, muito alto, um rosto anguloso, um queixo másculo com uma covinha muito sensual a enfeitá-lo, a barba por fazer, nariz bem feito, lábios carnudos e bem desenhados, sobrancelhas grossas a serpentar olhos azuis ou seriam cinza? Um peito largo...
Vestia um jeans claro, lhe evidenciando as coxas másculas... obviamente malhava... um terno escuro, bem talhado, camisa branca tendo seu colarinho aberto e uma gravata frouxa lhe compeliam uma ar masculinamente despojado. A alça de sua mochila lhe atravessava o peito amplo, muito amplo... devia estar chegando do trabalho naquele momento.
Só então percebeu que estivera imóvel, a examinar o sujeito... e que também era examinada por ele com muito interesse. Aléxis ficou rubra e baixou a cabeça. Havia tanto tempo que um espécime masculino não lhe chamava a atenção! Mas aquele, com certeza não passaria despercebido nem a mais indiferente das mulheres...
Vestida como velha... de repente a frase de Norah lhe veio a mente. Oh, como desejou ter vestido algo mais... feminino talvez...
O que? No estava pensando? Estava ali a trabalho... bom, mais ou menos isso.
Ela olhou com desconfiança para os dois homens. Sabia que o primeiro não era Ethan Marcus, mas como ter certeza de que o segundo era?
— Eu posso provar! – o recém-chegado argumentou, colando uma das mãos sobre o peito, parecendo ter notado sua dúvida. – Quer ver meus documentos? – perguntou, colocando a mão no bolso traseiro da calça, com a intenção de pegar a carteira.
Aléxis ponderou e decidiu que aquilo também seria exagero:
— Não... tudo bem...
— Mas o que foi que eu fiz para ter uma bela mulher como você a minha procura? – retirou a alça da mochila de seu peito e a depositou sobre o balcão. — Não é advogada, é? – ele inquiriu, com um leve sorriso a sombrear-lhe os lábios, examinado de forma lenta suas roupas formais.
Aquele olhar provocou nela certa inquietação. De repente sentiu calor, como se a roupa queimasse sua pele.
— Não... eu não sou... Sou secretária de Amanda Shepherd...
Impossível não perceber a mudança no cenho dele. Tornou-se fechada, as sobrancelhas quase unidas. Mas isso não a impediu de prosseguir:
— Alias, estou aqui a pedido dela.
— O que aquela... mulher quer agora?
A pausa implícita na pergunta dele indicava que ele conteve uma expressão... talvez mais ultrajante. Era óbvio que a relação não terminara bem...
Sem tecer qualquer comentário, Aléxis lhe estendeu o envelope que a chefe mandara que entregasse a ele.
Ela esperou, pacientemente que ele examinasse seu conteúdo. Afinal, Amanda lhe incumbiu... na verdade ela ordenou que voltasse com uma resposta.
Após ler o conteúdo da carta, o homem soltou um riso divertido. Em seguida ergueu a folha em direção ao barman, dizendo:
— Hei, Tom, ela não desiste!
O outro riu também, parecendo já saber do que se tratava:
— Quem mandou dar corda?
— Vai rindo! Lembre-se de que seu pescoço também está envolvido! – recolocando a carta dentro do envelope, ele voltou—se para Aléxis. – A resposta é... – ele pareceu ponderar, mas em menos de um segundo já respondeu. — Não! – e lhe estendeu o papel de volta cruzando os braços sobre o peito largo. — E diga para aquela louca me deixar em paz, de uma vez por todas!
— Ok... – Estava curiosa para saber o que continha ali que o deixara tão alterado. Mas obviamente não perguntou nada. Recolhendo o envelope, guardou-o no bolso da valise, endireitou o corpo e estendeu a mão para despedir-se dele.
Ele a acolheu na sua e uma longa e lânguida corrente elétrica lhe percorreu a espinha. Céus, ela estava há tanto tempo sem sexo que o simples toque daquele homem em sua mão a deixava excitada...
Tentando disfarçar o rubor, que obviamente lhe cobria a face, Aléxis desfez o contato dizendo:
— Muito obrigado por sua atenção. Não vou tomar mais o seu tempo... – e assim se encaminhou para a porta.
— Espere! – ele a chamou, fazendo-a voltar-se. – Para quê a presa? Deixe-me ao menos lhe pagar uma bebida!
Por que ele tinha de ter aquele sorriso tão sexy? E o cheiro de colônia que lhe chegava às narinas? Perturbador, muito perturbador!
Talvez se estivesse em outra situação, e ele não fosse quem era... Sim, porque ela tinha de se lembrar que aquele era Ethan Marcus, o ex, mas ainda desejado amante de Amanda Shepherd! Era mais que óbvio que sua chefe tinha esperanças de que reatassem! Sendo assim, dividir uma bebida com ele estava fora de cogitação! Não queria arriscar perder o emprego por causa de um homem! Ainda que fosse o homem!
— Não vale dizer que ainda está trabalhando! – ele brincou, notando sua hesitação.
— De certa forma estou...
— Mas já são quase seis! É sexta-feira! Foi uma longa semana de trabalho! Merecemos uma boa bebida gelada, não acha?
— Sinto muito, mas realmente não posso.
— Então me dê o numero do seu telefone. Assim posso ligar e combinarmos outro dia...
A ideia era tentadora... passar algumas horas na companhia de um homem charmoso e cheiroso como aquele...
— Sinto muito, mas não acho que seja uma boa ideia...
Ele perscrutou sua face por um instante, meneando levemente a cabeça:
— Entendo... – falou vagamente. – Mas se mudar de ideia...
Percebeu que ele esperava que lhe dissesse seu nome:
— Aléxis. Aléxis Morgan.
— Bom, se mudar de ideia, Aléxis Morgan... sabe onde me encontrar.
Sorrindo brevemente, ela rumou para a porta. Que homem era aquele? Seu caminhar foi tenso, pois tinha a nítida sensação de que ele ainda a examinava.
Ao alcançar a pesada porta, arriscou um olhar de volta. E como previra, ele ainda a encarava. Escondendo um sorriso encabulado, deixou o lugar.

Com um cotovelo apoiado sobre o balcão, Ethan ponderava sobre o encontro inusitado.
Achou aquela garota extremamente atraente, embora escondida em roupas que não lhe favoreciam.
Tinha lindos olhos castanhos esverdeados, longos cabelos castanhos, presos num rabo de cavalo, logo acima da nuca, que só serviam para torná-la mais séria ainda. Uma pele clara que parecia ser muito sedosa. Devia ser maravilhosa de se tocar. Mas o que mais lhe chamara a atenção, fora sua boca. Linda, carnuda na porção exata e bem desenhada. Era uma bela morena, com certeza!
Sorrindo de canto de lábios, pensou que gostaria, muito, de descobrir o que havia escondido de baixo daquela roupa formal.
Seria agradável vê-la de novo, mas considerando que trabalhava para Shepherd, provavelmente isso não seria possível. O que era uma pena!
Terminou de despir a gravata e voltou-se para o barman:
— O de sempre, Tom!
— É para já!
Ingressou num bate papo animado com o homem, que era seu amigo, desde que alugara o espaço para transformar num bar, anos atrás. Ethan morava no andar de cima, num espaçoso loft.
O prédio lhe pertencia, comprara-o quando se mudara para Nova Iorque e montara seu escritório de arquitetura no centro da cidade. E era aquele prédio que Amanda Shepherd queria de toda forma comprar e fora, claro, o desejo de voltar para sua cama
Ethan não suportava mulheres como aquela, possessiva, cheia de frescuras, que gostava de se mostrar sofisticada demais. Ela o atraiu por sua aparência, era uma mulher extremamente bonita e, tinha de admitir: muito boa de cama. Mas fora só isso. Quando passou a conhecer melhor sua personalidade, o encanto acabou.  Até mesmo o sexo esfriou. Sem gostar de prolongar uma situação desnecessária, Ethan colocou um fim a relação.
E foi durante esse breve relacionamento que ela desenvolveu interesse por sua propriedade. Dizia querer comprar o lugar para criar um restaurante para o pai, que morava em Chicago. O prédio era realmente bem situado, num bairro nobre, com muitos estabelecimentos de renomes instalados na rua.
Mas Ethan não desejava vender. Nem mesmo pelo preço muito acima de mercado que Shepherd queria pagar. Dinheiro não era problema para ele. Vivia bem, não era um milionário nem nada, mas seu escritório, que dividia com o sócio Eric, um amigo de infância, era bem conceituado. Garantia-lhe conforto financeiro.
Já deixara bem claro não ter interesse no negócio, mas aquela mulher não aceitava um não como resposta. Sendo assim, com certeza, não seria a última vez que ouviria falar.
Bom, de repente agora haveria um lado positivo: a chance de rever a bela Aléxis Morgan.

Sentada no metrô, a caminho de casa, Aléxis fingia estar concentrada em algo no seu tablet, para evitar os olhares insistentes de um homem, sentado á alguns metros dela.
Estava muito cansada para um flerte. Se bem que flertaria com gosto com charmoso Ethan... se pudesse.
Deslizando o dedo sobre a tela do aparelho, mesmo sem ver nada, decidiu que precisava parar de pensar no sujeito. Principalmente por ser ex de sua chefe, mas também por que não queria um relacionamento agora. Tinha de se focar em seu trabalho. Sentia que sua grande chance estava próxima.
Empenhava-se num projeto de paisagismo para um cliente muito importante. A dificuldade estava no fato de ser apenas uma secretária e então teria de apresentar seu projeto a Amanda Shepherd, torcer para que gostasse de suas ideias e, com muita sorte, essa lhe desse a conta. Norah, que era secretária também, no mesmo escritório, dizia ter pouca fé de que isso acontecesse.
Sabia que estava sonhando alto, mas precisava arriscar. Era seu sonho, tinha de lutar por ele.
Por tanto, empenhava todo seu tempo livre no trabalho e não desejava um relacionamento para lhe tirar o foco.
De repente, tentou se lembrar da última vez que estivera com um homem. Novembro, pouco antes das festas de Ação de Graça... e já estavam em julho.
Espantou-se. Já haviam se passado oito meses, sem um beijo, um abraço e sem sexo!
Mas, mesmo depois de tanto tempo, não havia sentido falta de tal contato. Até pousar seus olhos em Ethan Marcus!
Que homem! Sexy, extremante sexy! Ele era do tipo que parecia ter pegada, como Norah costumava falar.
Tentou imaginar seu beijo, sua mãos em seu corpo...
Sentiu um súbito calor e quando ergueu os olhos, deu com o sujeito a metros dela. Pobre coitado! Não que fosse feio, mas uma mulher, depois de conhecer um espécime como Ethan, os outros não teriam chance alguma.
O metrô chegou a seu ponto e ela levantou-se e deixou o trem.
Caminhou algumas quadras e logo estava frente ao prédio simples onde alugava um apartamento. Ficava bem afastado do centro, onde trabalhava, mas era o que podia pagar. Ao menos o bairro era tranquilo.
Morava no quarto andar, então a viagem de elevador era bem rápida. Quando não estava muito cansada, gostava de subir as escadas, mas, particularmente naquele dia, sentia-se esgotada! Na correria do dia a dia e pela distancia do trabalho, não conseguia mais se exercitar pela manhã, na academia do bairro, como fazia antes. Assim, deixava para praticar ao menos uma caminhada nos finais de semana.
Ao entrar, depositou sua valise no aparador, junto com as chaves, descalçou os sapatos de salto médios e despiu o casaco. Jogando a peça sobre o sofá, sorriu.
Caminhou para o pequeno jardim que mantinha na sua diminuta varanda. Optara por plantas pequenas e resistentes, como suculentas e pequenos cactos. Para dar um leve colorido, duas lindas orquídeas. E tudo estava disposto em um deck de madeira, com uma pequena prateleira, tudo feito por ela mesma. Sem sombra de dúvidas, era seu canto preferido do apartamento.
Aquele era seu ritual de chegada. Dar uma passada pelo cantinho verde tinha o poder deixá-la relaxada revigorada.
Olhou a noite que já caia. Voltando para a sala, ligou a TV para quebrar o silêncio imperador no ambiente.
Ao voltar-se, seus olhos pousaram numa foto dela junto com a mãe. Torceu os lábios. Havia um bom tempo que não se falavam. E por opção de Aléxis.
Sabia que devia muito a sua mãe, mas não conseguia aceitar o novo relacionamento dela. O sujeito tinha metade de sua idade!
Aquilo não podia ser amor, ao menos por parte dele.
Suspirando, caminhou para o banheiro. Norah lhe dizia que era muito retrógrada, que estava arrastando uma situação incômoda, sem necessidade. Afinal, a vida é dela, deixe que a viva! Eram suas palavras.
Podia ser uma atitude infantil, mas Aléxis simplesmente não conseguia conceber tal situação.
Já embaixo do chuveiro, decidiu que não pensaria mais naquilo. Tinha de se concentrar em seu projeto. Apenas aquele sentimento de estava sendo um pouco… ou muito egoísta a perturbou por toda a noite.
Já passavam das onze, quando levantou seus olhos da planta. Esticou as costas, que reclamaram. Em seguida, foi seu estômago quem reclamou.
A parte em papel estava quase ficando pronta! Havia feito também o projeto no computador, muito mais completo e com muito mais detalhes.
Ficara tão absorvida pelo trabalho, que se esquecera de jantar. Com um sorriso de contentamento, deslizou os olhos pelo desenho. As ideias fluíam tudo se encaixava. É! Ela havia nascido para fazer aquilo!
Fez um lanche de queijo e se acomodou no canto do sofá, onde costumava comer. Seus olhos pousaram na valise, no aparador.
Isso a arremeteu a carta e prontamente ao destinatário: o sexy Ethan! Estava curiosa. Era óbvio que Amanda o queria de volta, mas ele não parecia se interessar pela ideia.
O que havia escrito ali? Pegou o envelope e voltou para o sofá.
Não devia abrir! Ora, mas quem saberia que o leu? Ethan devia ter ficado com o pacote.
Imaginou a expressão de Amanda se a visse naquele momento. Com toda sua soberba, certeza duvidaria que Aléxis tivesse coragem de ler o que escrevera.
Pensando assim, num gesto de rebeldia, abriu o envelope:

“Querido, eu não suporto mais ser desprezada por você! Sinto saudades! Tenho passado minhas noites lembrando-se dos seus beijos, seus abraços, das loucuras que fazíamos numa cama. E em qualquer superfície...”
Aléxis revirou os olhos.
“Duvido que não sinta minha falta! Ligue-me e vamos combinar algo. Estou ansiosa por você, amor!”

— Oh, Deus! – Aléxis riu.

“Em relação a minha outra oferta, acho que talvez ela não tenha sido substancial o suficiente.”
“Este outro valor lhe interessa?”

Aléxis ficou de boca aberta pela soma oferecida por sua chefe. Quem tinha tanto dinheiro assim? E o que ela queria comprar dele?
E ainda, Ethan Marcus havia recusado.
O homem devia ser rico, além de lindo!

Onde fora para o fim de semana? Pensou, adentrando no escritório, na segunda de manhã. Passara rápido, mas havia rendido: conseguira terminar seu projeto. Estava excitada, louca para mostrar para Norah.
Assim que a avistou, fez-lhe um gesto que a encontrasse na cozinha.
— Aléxis! Está incrível! – a amiga se admirava, examinando a planta exposta sobre a mesa.
— Acha mesmo? – uma insegura Aléxis mordia o canto da boca, torcendo as mãos.
— Claro! Está perfeito! Só temo que entregue essa coisa linda nas mãos de Shepherd! – receou a outra, indo se servir de café.
— Ah, Norah, eu não tenho outra opção! Eu não posso simplesmente mostrar meu trabalho direto ao cliente! Seria antiético!
— Eu entendo, amiga! Bom, o jeito é torcer para que a Cobra Mor lhe dê seu valor! Quando pretende mostrar a ela?
— Eu não sei!
— Lembre—se de que o cliente virá na próxima semana!
Ela bufou:
— Eu penso nisso a cada segundo do dia!  – ela recolhia seu fruto da mesa com cuidado. – Tudo vai depender do humor da Mor!
Elas riam, enquanto deixavam à cozinha. Haviam dado aquele apelido “carinhoso” a Shepherd, por causa de seu autoritarismo e mau humor. Trabalhavam juntas, na mesma antessala, cada uma tinha seu chefe, mas Aléxis “servia” a Ceo do escritório, Amanda.
— E acho que hoje não vai ser o dia. – confidenciou, sentando-se e empurrando a cadeira para perto da mesa da amiga. – Preciso te falar! A Mor me mandou levar um recado ao ex dela...
— E como ele é? – a outra se interessou imediatamente.
— O homem é a personificação da perfeição!
Ela iria lhe dar mais detalhes, mais sua chefe acabava de adentrar o recinto, murmurando um sisudo bom dia:
— Aléxis, na minha sala, ok?
— Sim, senhora... – assentiu, cruzando um olhar com Norah.
Levantou-se para seguir a mulher, mas antes pegou a carta que havia levado para Ethan.
— E então? – ela foi direto ao assunto.
Aléxis a imitou:
— Ele disse não. – estendeu o envelope.
Oh, como adorou a cara de decepção da outra! Adoraria tirar uma foto e emoldurar.
— Como assim, ele disse não? – ela relutava em pegar o papel de sua mão.
— Foi tudo o que ele respondeu. – achou melhor não acrescentar a parte em que Ethan pedia que o deixasse em paz, pois temia que sobrasse para ela.
Então Amanda pegou a carta e a rasgou, com um risinho de ceticismo:
— Então ele quer se fazer de difícil? Bem, — jogou o papel picado no lixo. – dois podem jogar esse jogo. – acomodou-se na cadeira de couro e cruzou as belas pernas. – Ele só está magoado porque o deixei! – se gabava ela. — Vai se acalmar! Vou dar um tempinho para ele e depois volto a atacar. A agenda, por favor!
— Sim, senhora...
Porque duvidava de que ela era quem teria terminado o romance? Talvez pela expressão de Ethan, que mudara drasticamente, ao ouvir o nome de Shepherd. Não parecia um homem desprezado e sim desprezando.
Após deixa-la a par dos compromissos do dia Aléxis rumou para a porta. Mas se deteve a meio caminho.
Devia falar-lhe sobre seu projeto?  Seria o dia certo?
Voltou-se e encarou a mulher.
Essa baixou seus óculos e a encarou curiosa:
— Algo, mais, Morgan?
Tom irritadiço. Não, não era o dia.
— Não, senhora, não tem mais nada.
Covarde! Foi como se classificou, enquanto fechava a porta atrás de si.
Ao longe, Norah fez um gesto inquiridor com as mãos. Respondeu com outro gesto: De negação.
A amiga torceu os lábios e deu de ombros, decepcionada com ela.
Ao se acomodar em sua mesa, olhou para seus croquis, devidamente guardados em um invólucro de papelão. O pen drive com a versão computadorizada também estava lá. Suspirou. Não havia sido naquele dia, mas seria em outro! Não iria desistir!
O dia foi exaustivo! A Cobra Mor estava agitada, chamando-a a todo o momento. Buscara seu almoço, exatamente como fora pedido. No entanto, o restaurante devia ter errado em alguma coisa e infelizmente toda sua ira recaíra sobre Aléxis.
Quando voltou a se acomodar, bufando de raiva, já que a patroa como sempre se achava dona da verdade e não a deixara se defender, Norah veio tranquilizar:
— Não ligue! Absorva e abstenha! – cantarolou o mantra. – Ela está precisando é de sexo!
Aléxis riu.
— Ai, mas você não acabou de me falar sobre o gato ex!
Bem, o que melhor do que falar daquele homem, para se acalmar?
— Oh, Deus!  — Norah suspirou, após a descrição bem caprichada de Ethan. – Eu quero um desses para mim! Não é a toa que ela está subindo pelas paredes! Levar um fora desse tipão?
— Ela diz que foi ela quem deu o fora. — Vai acreditando! A Mor pode ser linda, sexy, mas quem a suporta por pouco mais de algumas horas? Mas me conta! – ela se debruçou sobre a mesa de Aléxis. – Vai ver esse homem de novo?
— Não sei e não estou interessada! – ela se fez de difícil.
— O quê? – a outra quase gritou. – O que quer dizer com não estou interessada? É a primeira vez que te vejo falando tão animadamente de um homem! Como pode dizer que não tem interesse?
— Hum... deixe ver se consigo explicar os pontos: o primeiro deles, é que Amanda Shepherd está obstinada em consegui-lo de volta. Acha mesmo que eu me colocaria no caminho? Além disso, o que a faz pensar que Ethan Marcus teria qualquer interesse em mim?
— Querida, se parasse de se vestir como uma velha, — examinou o conjunto de saia e tailleur marrom que usava, com desprezo. – soltasse esses seus cabelos e enfeitasse essa sua carinha com um pouco de cor, teria uma fila de homens a sua volta! Garota, não sabe o poder que tem!
— Oh, tudo bem! Sei que é grande admiradora do meu guarda roupa, ok? – foi irônica. – Mas o que acontece, é que não quero um homem na minha vida agora! Se esse projeto der certo, vou precisar de todo tempo disponível, quero me jogar de cabeça nisso!
— É engraçado! Outras mulheres mergulham de cabeça, como você quer e maioria delas arranja tempo, pelo menos para uma rapidinha! Algumas até se casam, sabia?
Aléxis riu da amiga. É, uma rapidinha até não seria mal. Ainda mais se fosse com Ethan...
Meneou a cabeça para afastar tal pensamento:
— Eu me conheço, Norah! Não saberia lidar com tal situação! E eu não sou... – baixou o tom, olhando a volta, para garantir que ninguém ouvisse. – mulher de rapidinha, certo?
Norah sorriu maliciosa, revirando os olhos:
— Eu sou! Não sabe o que está perdendo! Rapidinhas são revigorantes! – e voltou para sua mesa.
Norah tinha seu ponto de vista que obviamente era diferente do de Aléxis! Nada a tiraria do rumo de seu intuito!
Não queria levar uma vida como a de sua mãe, trabalhando como enfermeira em dois hospitais, por toda a infância de Aléxis. Mal se viam.
Queria ser uma pessoa bem sucedida na carreira, para que mais tarde, quando tivesse sua família, pudesse partilhar dela. Almejava uma vida tranquila, sem sobressaltos.
Obviamente que não culpava sua mãe pela solidão na qual crescera, sabia que tinha de ser assim. Caso contrário, Aléxis não teria conseguido estudar em bons colégios e mais tarde frequentado uma faculdade. Começara a fazer Administração, mas percebeu que não era o que queria. Quando trancou matrícula, Rosalyn, sua mãe, lhe dera total apoio.
Até que decidisse o que estudar, resolveu procurar emprego, para ajudar mãe. Conseguiu o cargo de secretária na Encantos do Paisagismo e Jardinagem e foi quando descobriu sua paixão.
Com o salário, pudera ajudar nas economias da casa e sua mãe passou a trabalhar num único hospital. Fizera cursos e cursos sobre o assunto. Era a primeira vez que montava um projeto tão grande e ambicioso.
Há três anos saíra da casa da mãe para morar sozinha, por influência dela, que dizia que precisava caminhar com as próprias pernas.
Hoje se perguntava se não a incitara a mudar-se para que pudesse ter seus romances.
Enquanto estavam juntas, não se lembrava da mãe ter sequer um namorado. E isso a arremetia a situação atual: o homem bem mais jovem!
Oh, Deus, pedia por sabedoria para aceitar! Ela nem quisera conhecer o sujeito, pois tinha plena certeza de que o odiaria de cara!
Sabia que aquela situação deixava sua mãe magoada, assim como estava.
Sentia-se covarde por não enfrentar a situação, mas sabia que não estava pronta. Precisava de mais tempo.


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