quinta-feira, 23 de julho de 2015

Um pouco mais de: Ethan!!!

Boa tarde galera, tudo bem??

Hoje trago a vocês o primeiro capitulo de Ethan... 

Espero que gostem.
Até mais ... Bye

Ethan 
                                  1ª Capítulo 
— Eu não sou paga para isso! – retrucou Aléxis, examinando o endereço em sua mão e fitando o prédio diante dela.
Ela era secretária no escritório Shepherd and Harry's Paisagismo! No escritório! Amanda Shepherd não tinha autoridade sobre ela para pedir-lhe que “negociasse” com seu ex-amante!
Bem, ela poderia ter dito isso a sua chefe na empresa. Agora, parada diante da construção de dois andares, de tijolos aparentes, pensava que era tarde para reclamar.
Com um suspiro exasperado, alisou seu tailleur bege, que combinava com a calça e sua regata de seda branca. Uma roupa que a fazia parecer uma velha e não a mulher de 26 que era, como dizia sua amiga Norah.
Ela se sentia confortável em seu traje. Parecia mais profissional, séria. Antes de empurrar a porta que dava para o bar, suspirou novamente. Jogando o comportado rabo de cavalo por sobre o ombro, ela entrou.
Pelo horário, o ambiente estava praticamente vazio. Poucas pessoas ao fundo, junto a uma mesa de sinuca. E no balcão, três caras, um em cada canto.
Quem seria Ethan Marcus?
O jeito era perguntar...
— Com licença, – ela se inclinou sobre o balcão, para chamar a atenção do barman. — estou procurando por Ethan Marcus. Ele trabalha aqui?
— Não. – respondeu o homem, examinando-a.
Se ele não trabalhava ali, porque Shepherd dissera que o procurasse no lugar?
— Sabe onde posso encontrá-lo?
— Acabou de achar, boneca!
A voz soou de um sujeito ao seu lado.
Impossível! Sua patroa, Amanda Shepherd, nunca, nunca teria um relacionamento com um homem como aquele!
Ele devia ter seus cinquenta anos, uma barriga bem proeminente, uma visível falha de cabelo e devia medir pelo menos um metro e cinquenta. Amanda devia medir um e oitenta...
Reformulando: Amanda Shepherd sequer olharia para um sujeito como aquele!
Aléxis tentou disfarçar sua expressão de incredulidade, enquanto o homem exibia um sorriso bonachão, acompanhado de um piscada e um brinde silencioso, erguendo seu copo. Tinha uma cara simpática, mas com certeza não era o tipo de sua patroa!
Quando ela pretendia se manifestar, uma mão grande e máscula pousou no ombro do sujeito:
— Se passando por mim de novo, Ed? Quando vai aprender que a mulheres nunca vão cair no seu truque? – brincou o recém-chegado.
Sim, aquele era o tipo de Amanda Shepherd! Aliás, o tipo de qualquer mulher!
Ele era alto, muito alto, um rosto anguloso, um queixo másculo com uma covinha muito sensual a enfeitá-lo, a barba por fazer, nariz bem feito, lábios carnudos e bem desenhados, sobrancelhas grossas a serpentar olhos azuis ou seriam cinza? Um peito largo...
Vestia um jeans claro, lhe evidenciando as coxas másculas... obviamente malhava... um terno escuro, bem talhado, camisa branca tendo seu colarinho aberto e uma gravata frouxa lhe compeliam uma ar masculinamente despojado. A alça de sua mochila lhe atravessava o peito amplo, muito amplo... devia estar chegando do trabalho naquele momento.
Só então percebeu que estivera imóvel, a examinar o sujeito... e que também era examinada por ele com muito interesse. Aléxis ficou rubra e baixou a cabeça. Havia tanto tempo que um espécime masculino não lhe chamava a atenção! Mas aquele, com certeza não passaria despercebido nem a mais indiferente das mulheres...
Vestida como velha... de repente a frase de Norah lhe veio a mente. Oh, como desejou ter vestido algo mais... feminino talvez...
O que? No estava pensando? Estava ali a trabalho... bom, mais ou menos isso.
Ela olhou com desconfiança para os dois homens. Sabia que o primeiro não era Ethan Marcus, mas como ter certeza de que o segundo era?
— Eu posso provar! – o recém-chegado argumentou, colando uma das mãos sobre o peito, parecendo ter notado sua dúvida. – Quer ver meus documentos? – perguntou, colocando a mão no bolso traseiro da calça, com a intenção de pegar a carteira.
Aléxis ponderou e decidiu que aquilo também seria exagero:
— Não... tudo bem...
— Mas o que foi que eu fiz para ter uma bela mulher como você a minha procura? – retirou a alça da mochila de seu peito e a depositou sobre o balcão. — Não é advogada, é? – ele inquiriu, com um leve sorriso a sombrear-lhe os lábios, examinado de forma lenta suas roupas formais.
Aquele olhar provocou nela certa inquietação. De repente sentiu calor, como se a roupa queimasse sua pele.
— Não... eu não sou... Sou secretária de Amanda Shepherd...
Impossível não perceber a mudança no cenho dele. Tornou-se fechada, as sobrancelhas quase unidas. Mas isso não a impediu de prosseguir:
— Alias, estou aqui a pedido dela.
— O que aquela... mulher quer agora?
A pausa implícita na pergunta dele indicava que ele conteve uma expressão... talvez mais ultrajante. Era óbvio que a relação não terminara bem...
Sem tecer qualquer comentário, Aléxis lhe estendeu o envelope que a chefe mandara que entregasse a ele.
Ela esperou, pacientemente que ele examinasse seu conteúdo. Afinal, Amanda lhe incumbiu... na verdade ela ordenou que voltasse com uma resposta.
Após ler o conteúdo da carta, o homem soltou um riso divertido. Em seguida ergueu a folha em direção ao barman, dizendo:
— Hei, Tom, ela não desiste!
O outro riu também, parecendo já saber do que se tratava:
— Quem mandou dar corda?
— Vai rindo! Lembre-se de que seu pescoço também está envolvido! – recolocando a carta dentro do envelope, ele voltou—se para Aléxis. – A resposta é... – ele pareceu ponderar, mas em menos de um segundo já respondeu. — Não! – e lhe estendeu o papel de volta cruzando os braços sobre o peito largo. — E diga para aquela louca me deixar em paz, de uma vez por todas!
— Ok... – Estava curiosa para saber o que continha ali que o deixara tão alterado. Mas obviamente não perguntou nada. Recolhendo o envelope, guardou-o no bolso da valise, endireitou o corpo e estendeu a mão para despedir-se dele.
Ele a acolheu na sua e uma longa e lânguida corrente elétrica lhe percorreu a espinha. Céus, ela estava há tanto tempo sem sexo que o simples toque daquele homem em sua mão a deixava excitada...
Tentando disfarçar o rubor, que obviamente lhe cobria a face, Aléxis desfez o contato dizendo:
— Muito obrigado por sua atenção. Não vou tomar mais o seu tempo... – e assim se encaminhou para a porta.
— Espere! – ele a chamou, fazendo-a voltar-se. – Para quê a presa? Deixe-me ao menos lhe pagar uma bebida!
Por que ele tinha de ter aquele sorriso tão sexy? E o cheiro de colônia que lhe chegava às narinas? Perturbador, muito perturbador!
Talvez se estivesse em outra situação, e ele não fosse quem era... Sim, porque ela tinha de se lembrar que aquele era Ethan Marcus, o ex, mas ainda desejado amante de Amanda Shepherd! Era mais que óbvio que sua chefe tinha esperanças de que reatassem! Sendo assim, dividir uma bebida com ele estava fora de cogitação! Não queria arriscar perder o emprego por causa de um homem! Ainda que fosse o homem!
— Não vale dizer que ainda está trabalhando! – ele brincou, notando sua hesitação.
— De certa forma estou...
— Mas já são quase seis! É sexta-feira! Foi uma longa semana de trabalho! Merecemos uma boa bebida gelada, não acha?
— Sinto muito, mas realmente não posso.
— Então me dê o numero do seu telefone. Assim posso ligar e combinarmos outro dia...
A ideia era tentadora... passar algumas horas na companhia de um homem charmoso e cheiroso como aquele...
— Sinto muito, mas não acho que seja uma boa ideia...
Ele perscrutou sua face por um instante, meneando levemente a cabeça:
— Entendo... – falou vagamente. – Mas se mudar de ideia...
Percebeu que ele esperava que lhe dissesse seu nome:
— Aléxis. Aléxis Morgan.
— Bom, se mudar de ideia, Aléxis Morgan... sabe onde me encontrar.
Sorrindo brevemente, ela rumou para a porta. Que homem era aquele? Seu caminhar foi tenso, pois tinha a nítida sensação de que ele ainda a examinava.
Ao alcançar a pesada porta, arriscou um olhar de volta. E como previra, ele ainda a encarava. Escondendo um sorriso encabulado, deixou o lugar.

Com um cotovelo apoiado sobre o balcão, Ethan ponderava sobre o encontro inusitado.
Achou aquela garota extremamente atraente, embora escondida em roupas que não lhe favoreciam.
Tinha lindos olhos castanhos esverdeados, longos cabelos castanhos, presos num rabo de cavalo, logo acima da nuca, que só serviam para torná-la mais séria ainda. Uma pele clara que parecia ser muito sedosa. Devia ser maravilhosa de se tocar. Mas o que mais lhe chamara a atenção, fora sua boca. Linda, carnuda na porção exata e bem desenhada. Era uma bela morena, com certeza!
Sorrindo de canto de lábios, pensou que gostaria, muito, de descobrir o que havia escondido de baixo daquela roupa formal.
Seria agradável vê-la de novo, mas considerando que trabalhava para Shepherd, provavelmente isso não seria possível. O que era uma pena!
Terminou de despir a gravata e voltou-se para o barman:
— O de sempre, Tom!
— É para já!
Ingressou num bate papo animado com o homem, que era seu amigo, desde que alugara o espaço para transformar num bar, anos atrás. Ethan morava no andar de cima, num espaçoso loft.
O prédio lhe pertencia, comprara-o quando se mudara para Nova Iorque e montara seu escritório de arquitetura no centro da cidade. E era aquele prédio que Amanda Shepherd queria de toda forma comprar e fora, claro, o desejo de voltar para sua cama
Ethan não suportava mulheres como aquela, possessiva, cheia de frescuras, que gostava de se mostrar sofisticada demais. Ela o atraiu por sua aparência, era uma mulher extremamente bonita e, tinha de admitir: muito boa de cama. Mas fora só isso. Quando passou a conhecer melhor sua personalidade, o encanto acabou.  Até mesmo o sexo esfriou. Sem gostar de prolongar uma situação desnecessária, Ethan colocou um fim a relação.
E foi durante esse breve relacionamento que ela desenvolveu interesse por sua propriedade. Dizia querer comprar o lugar para criar um restaurante para o pai, que morava em Chicago. O prédio era realmente bem situado, num bairro nobre, com muitos estabelecimentos de renomes instalados na rua.
Mas Ethan não desejava vender. Nem mesmo pelo preço muito acima de mercado que Shepherd queria pagar. Dinheiro não era problema para ele. Vivia bem, não era um milionário nem nada, mas seu escritório, que dividia com o sócio Eric, um amigo de infância, era bem conceituado. Garantia-lhe conforto financeiro.
Já deixara bem claro não ter interesse no negócio, mas aquela mulher não aceitava um não como resposta. Sendo assim, com certeza, não seria a última vez que ouviria falar.
Bom, de repente agora haveria um lado positivo: a chance de rever a bela Aléxis Morgan.

Sentada no metrô, a caminho de casa, Aléxis fingia estar concentrada em algo no seu tablet, para evitar os olhares insistentes de um homem, sentado á alguns metros dela.
Estava muito cansada para um flerte. Se bem que flertaria com gosto com charmoso Ethan... se pudesse.
Deslizando o dedo sobre a tela do aparelho, mesmo sem ver nada, decidiu que precisava parar de pensar no sujeito. Principalmente por ser ex de sua chefe, mas também por que não queria um relacionamento agora. Tinha de se focar em seu trabalho. Sentia que sua grande chance estava próxima.
Empenhava-se num projeto de paisagismo para um cliente muito importante. A dificuldade estava no fato de ser apenas uma secretária e então teria de apresentar seu projeto a Amanda Shepherd, torcer para que gostasse de suas ideias e, com muita sorte, essa lhe desse a conta. Norah, que era secretária também, no mesmo escritório, dizia ter pouca fé de que isso acontecesse.
Sabia que estava sonhando alto, mas precisava arriscar. Era seu sonho, tinha de lutar por ele.
Por tanto, empenhava todo seu tempo livre no trabalho e não desejava um relacionamento para lhe tirar o foco.
De repente, tentou se lembrar da última vez que estivera com um homem. Novembro, pouco antes das festas de Ação de Graça... e já estavam em julho.
Espantou-se. Já haviam se passado oito meses, sem um beijo, um abraço e sem sexo!
Mas, mesmo depois de tanto tempo, não havia sentido falta de tal contato. Até pousar seus olhos em Ethan Marcus!
Que homem! Sexy, extremante sexy! Ele era do tipo que parecia ter pegada, como Norah costumava falar.
Tentou imaginar seu beijo, sua mãos em seu corpo...
Sentiu um súbito calor e quando ergueu os olhos, deu com o sujeito a metros dela. Pobre coitado! Não que fosse feio, mas uma mulher, depois de conhecer um espécime como Ethan, os outros não teriam chance alguma.
O metrô chegou a seu ponto e ela levantou-se e deixou o trem.
Caminhou algumas quadras e logo estava frente ao prédio simples onde alugava um apartamento. Ficava bem afastado do centro, onde trabalhava, mas era o que podia pagar. Ao menos o bairro era tranquilo.
Morava no quarto andar, então a viagem de elevador era bem rápida. Quando não estava muito cansada, gostava de subir as escadas, mas, particularmente naquele dia, sentia-se esgotada! Na correria do dia a dia e pela distancia do trabalho, não conseguia mais se exercitar pela manhã, na academia do bairro, como fazia antes. Assim, deixava para praticar ao menos uma caminhada nos finais de semana.
Ao entrar, depositou sua valise no aparador, junto com as chaves, descalçou os sapatos de salto médios e despiu o casaco. Jogando a peça sobre o sofá, sorriu.
Caminhou para o pequeno jardim que mantinha na sua diminuta varanda. Optara por plantas pequenas e resistentes, como suculentas e pequenos cactos. Para dar um leve colorido, duas lindas orquídeas. E tudo estava disposto em um deck de madeira, com uma pequena prateleira, tudo feito por ela mesma. Sem sombra de dúvidas, era seu canto preferido do apartamento.
Aquele era seu ritual de chegada. Dar uma passada pelo cantinho verde tinha o poder deixá-la relaxada revigorada.
Olhou a noite que já caia. Voltando para a sala, ligou a TV para quebrar o silêncio imperador no ambiente.
Ao voltar-se, seus olhos pousaram numa foto dela junto com a mãe. Torceu os lábios. Havia um bom tempo que não se falavam. E por opção de Aléxis.
Sabia que devia muito a sua mãe, mas não conseguia aceitar o novo relacionamento dela. O sujeito tinha metade de sua idade!
Aquilo não podia ser amor, ao menos por parte dele.
Suspirando, caminhou para o banheiro. Norah lhe dizia que era muito retrógrada, que estava arrastando uma situação incômoda, sem necessidade. Afinal, a vida é dela, deixe que a viva! Eram suas palavras.
Podia ser uma atitude infantil, mas Aléxis simplesmente não conseguia conceber tal situação.
Já embaixo do chuveiro, decidiu que não pensaria mais naquilo. Tinha de se concentrar em seu projeto. Apenas aquele sentimento de estava sendo um pouco… ou muito egoísta a perturbou por toda a noite.
Já passavam das onze, quando levantou seus olhos da planta. Esticou as costas, que reclamaram. Em seguida, foi seu estômago quem reclamou.
A parte em papel estava quase ficando pronta! Havia feito também o projeto no computador, muito mais completo e com muito mais detalhes.
Ficara tão absorvida pelo trabalho, que se esquecera de jantar. Com um sorriso de contentamento, deslizou os olhos pelo desenho. As ideias fluíam tudo se encaixava. É! Ela havia nascido para fazer aquilo!
Fez um lanche de queijo e se acomodou no canto do sofá, onde costumava comer. Seus olhos pousaram na valise, no aparador.
Isso a arremeteu a carta e prontamente ao destinatário: o sexy Ethan! Estava curiosa. Era óbvio que Amanda o queria de volta, mas ele não parecia se interessar pela ideia.
O que havia escrito ali? Pegou o envelope e voltou para o sofá.
Não devia abrir! Ora, mas quem saberia que o leu? Ethan devia ter ficado com o pacote.
Imaginou a expressão de Amanda se a visse naquele momento. Com toda sua soberba, certeza duvidaria que Aléxis tivesse coragem de ler o que escrevera.
Pensando assim, num gesto de rebeldia, abriu o envelope:

“Querido, eu não suporto mais ser desprezada por você! Sinto saudades! Tenho passado minhas noites lembrando-se dos seus beijos, seus abraços, das loucuras que fazíamos numa cama. E em qualquer superfície...”
Aléxis revirou os olhos.
“Duvido que não sinta minha falta! Ligue-me e vamos combinar algo. Estou ansiosa por você, amor!”

— Oh, Deus! – Aléxis riu.

“Em relação a minha outra oferta, acho que talvez ela não tenha sido substancial o suficiente.”
“Este outro valor lhe interessa?”

Aléxis ficou de boca aberta pela soma oferecida por sua chefe. Quem tinha tanto dinheiro assim? E o que ela queria comprar dele?
E ainda, Ethan Marcus havia recusado.
O homem devia ser rico, além de lindo!

Onde fora para o fim de semana? Pensou, adentrando no escritório, na segunda de manhã. Passara rápido, mas havia rendido: conseguira terminar seu projeto. Estava excitada, louca para mostrar para Norah.
Assim que a avistou, fez-lhe um gesto que a encontrasse na cozinha.
— Aléxis! Está incrível! – a amiga se admirava, examinando a planta exposta sobre a mesa.
— Acha mesmo? – uma insegura Aléxis mordia o canto da boca, torcendo as mãos.
— Claro! Está perfeito! Só temo que entregue essa coisa linda nas mãos de Shepherd! – receou a outra, indo se servir de café.
— Ah, Norah, eu não tenho outra opção! Eu não posso simplesmente mostrar meu trabalho direto ao cliente! Seria antiético!
— Eu entendo, amiga! Bom, o jeito é torcer para que a Cobra Mor lhe dê seu valor! Quando pretende mostrar a ela?
— Eu não sei!
— Lembre—se de que o cliente virá na próxima semana!
Ela bufou:
— Eu penso nisso a cada segundo do dia!  – ela recolhia seu fruto da mesa com cuidado. – Tudo vai depender do humor da Mor!
Elas riam, enquanto deixavam à cozinha. Haviam dado aquele apelido “carinhoso” a Shepherd, por causa de seu autoritarismo e mau humor. Trabalhavam juntas, na mesma antessala, cada uma tinha seu chefe, mas Aléxis “servia” a Ceo do escritório, Amanda.
— E acho que hoje não vai ser o dia. – confidenciou, sentando-se e empurrando a cadeira para perto da mesa da amiga. – Preciso te falar! A Mor me mandou levar um recado ao ex dela...
— E como ele é? – a outra se interessou imediatamente.
— O homem é a personificação da perfeição!
Ela iria lhe dar mais detalhes, mais sua chefe acabava de adentrar o recinto, murmurando um sisudo bom dia:
— Aléxis, na minha sala, ok?
— Sim, senhora... – assentiu, cruzando um olhar com Norah.
Levantou-se para seguir a mulher, mas antes pegou a carta que havia levado para Ethan.
— E então? – ela foi direto ao assunto.
Aléxis a imitou:
— Ele disse não. – estendeu o envelope.
Oh, como adorou a cara de decepção da outra! Adoraria tirar uma foto e emoldurar.
— Como assim, ele disse não? – ela relutava em pegar o papel de sua mão.
— Foi tudo o que ele respondeu. – achou melhor não acrescentar a parte em que Ethan pedia que o deixasse em paz, pois temia que sobrasse para ela.
Então Amanda pegou a carta e a rasgou, com um risinho de ceticismo:
— Então ele quer se fazer de difícil? Bem, — jogou o papel picado no lixo. – dois podem jogar esse jogo. – acomodou-se na cadeira de couro e cruzou as belas pernas. – Ele só está magoado porque o deixei! – se gabava ela. — Vai se acalmar! Vou dar um tempinho para ele e depois volto a atacar. A agenda, por favor!
— Sim, senhora...
Porque duvidava de que ela era quem teria terminado o romance? Talvez pela expressão de Ethan, que mudara drasticamente, ao ouvir o nome de Shepherd. Não parecia um homem desprezado e sim desprezando.
Após deixa-la a par dos compromissos do dia Aléxis rumou para a porta. Mas se deteve a meio caminho.
Devia falar-lhe sobre seu projeto?  Seria o dia certo?
Voltou-se e encarou a mulher.
Essa baixou seus óculos e a encarou curiosa:
— Algo, mais, Morgan?
Tom irritadiço. Não, não era o dia.
— Não, senhora, não tem mais nada.
Covarde! Foi como se classificou, enquanto fechava a porta atrás de si.
Ao longe, Norah fez um gesto inquiridor com as mãos. Respondeu com outro gesto: De negação.
A amiga torceu os lábios e deu de ombros, decepcionada com ela.
Ao se acomodar em sua mesa, olhou para seus croquis, devidamente guardados em um invólucro de papelão. O pen drive com a versão computadorizada também estava lá. Suspirou. Não havia sido naquele dia, mas seria em outro! Não iria desistir!
O dia foi exaustivo! A Cobra Mor estava agitada, chamando-a a todo o momento. Buscara seu almoço, exatamente como fora pedido. No entanto, o restaurante devia ter errado em alguma coisa e infelizmente toda sua ira recaíra sobre Aléxis.
Quando voltou a se acomodar, bufando de raiva, já que a patroa como sempre se achava dona da verdade e não a deixara se defender, Norah veio tranquilizar:
— Não ligue! Absorva e abstenha! – cantarolou o mantra. – Ela está precisando é de sexo!
Aléxis riu.
— Ai, mas você não acabou de me falar sobre o gato ex!
Bem, o que melhor do que falar daquele homem, para se acalmar?
— Oh, Deus!  — Norah suspirou, após a descrição bem caprichada de Ethan. – Eu quero um desses para mim! Não é a toa que ela está subindo pelas paredes! Levar um fora desse tipão?
— Ela diz que foi ela quem deu o fora. — Vai acreditando! A Mor pode ser linda, sexy, mas quem a suporta por pouco mais de algumas horas? Mas me conta! – ela se debruçou sobre a mesa de Aléxis. – Vai ver esse homem de novo?
— Não sei e não estou interessada! – ela se fez de difícil.
— O quê? – a outra quase gritou. – O que quer dizer com não estou interessada? É a primeira vez que te vejo falando tão animadamente de um homem! Como pode dizer que não tem interesse?
— Hum... deixe ver se consigo explicar os pontos: o primeiro deles, é que Amanda Shepherd está obstinada em consegui-lo de volta. Acha mesmo que eu me colocaria no caminho? Além disso, o que a faz pensar que Ethan Marcus teria qualquer interesse em mim?
— Querida, se parasse de se vestir como uma velha, — examinou o conjunto de saia e tailleur marrom que usava, com desprezo. – soltasse esses seus cabelos e enfeitasse essa sua carinha com um pouco de cor, teria uma fila de homens a sua volta! Garota, não sabe o poder que tem!
— Oh, tudo bem! Sei que é grande admiradora do meu guarda roupa, ok? – foi irônica. – Mas o que acontece, é que não quero um homem na minha vida agora! Se esse projeto der certo, vou precisar de todo tempo disponível, quero me jogar de cabeça nisso!
— É engraçado! Outras mulheres mergulham de cabeça, como você quer e maioria delas arranja tempo, pelo menos para uma rapidinha! Algumas até se casam, sabia?
Aléxis riu da amiga. É, uma rapidinha até não seria mal. Ainda mais se fosse com Ethan...
Meneou a cabeça para afastar tal pensamento:
— Eu me conheço, Norah! Não saberia lidar com tal situação! E eu não sou... – baixou o tom, olhando a volta, para garantir que ninguém ouvisse. – mulher de rapidinha, certo?
Norah sorriu maliciosa, revirando os olhos:
— Eu sou! Não sabe o que está perdendo! Rapidinhas são revigorantes! – e voltou para sua mesa.
Norah tinha seu ponto de vista que obviamente era diferente do de Aléxis! Nada a tiraria do rumo de seu intuito!
Não queria levar uma vida como a de sua mãe, trabalhando como enfermeira em dois hospitais, por toda a infância de Aléxis. Mal se viam.
Queria ser uma pessoa bem sucedida na carreira, para que mais tarde, quando tivesse sua família, pudesse partilhar dela. Almejava uma vida tranquila, sem sobressaltos.
Obviamente que não culpava sua mãe pela solidão na qual crescera, sabia que tinha de ser assim. Caso contrário, Aléxis não teria conseguido estudar em bons colégios e mais tarde frequentado uma faculdade. Começara a fazer Administração, mas percebeu que não era o que queria. Quando trancou matrícula, Rosalyn, sua mãe, lhe dera total apoio.
Até que decidisse o que estudar, resolveu procurar emprego, para ajudar mãe. Conseguiu o cargo de secretária na Encantos do Paisagismo e Jardinagem e foi quando descobriu sua paixão.
Com o salário, pudera ajudar nas economias da casa e sua mãe passou a trabalhar num único hospital. Fizera cursos e cursos sobre o assunto. Era a primeira vez que montava um projeto tão grande e ambicioso.
Há três anos saíra da casa da mãe para morar sozinha, por influência dela, que dizia que precisava caminhar com as próprias pernas.
Hoje se perguntava se não a incitara a mudar-se para que pudesse ter seus romances.
Enquanto estavam juntas, não se lembrava da mãe ter sequer um namorado. E isso a arremetia a situação atual: o homem bem mais jovem!
Oh, Deus, pedia por sabedoria para aceitar! Ela nem quisera conhecer o sujeito, pois tinha plena certeza de que o odiaria de cara!
Sabia que aquela situação deixava sua mãe magoada, assim como estava.
Sentia-se covarde por não enfrentar a situação, mas sabia que não estava pronta. Precisava de mais tempo.

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